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Estrutura Física vs Estrutura Humana

Luiz Carlos Leitão

Acompanhando o noticiário nacional vemos periodicamente, e principalmente em períodos eleitorais, autoridades e candidatos se comprometendo a aumentar os níveis de segurança publica com o pontual aumento de investimentos nas estruturas de investigação e repressão.

Contratação de Efetivo policial, melhoria em equipamentos eletrônicos, armamentos, viaturas, helicópteros, criação de policias pacificadoras (repressivas) e diversas outras variáveis com o objetivo de colocar o marginal na cadeia.

Confesso que isso me deixa frustrado. Não pelo que é feito, mas por tudo aquilo, fundamental em minha opinião, que é ignorado, qual seja,  a valorização e o treinamento do maior bem, em qualquer luta por dias melhores, que é justamente o ser humano envolvido neste processo.

Não creio que resolve pensar em apenas “prender o marginal”, acredito que mais inteligente e com melhores resultados de longo prazo seria também se pensar em “libertar um cidadão”.

Dentro de nosso sistema prisional brasileiro, falido em opinião majoritária, recebemos “meio marginais” e lançamos na sociedade “verdadeiros bandidos”, mais frios, mais cruéis, mais violentos, menos humanos. Salvo raríssimas exceções naturalmente.

Vejo de fundamental importância investimentos de vulto em equipamentos, viaturas, armamentos e tecnologia aos mecanismos policiais, mas também não acredito que dissociando isso de investimentos em valorização e treinamento das pessoas que efetivam o trabalho de reinserção social, consiga dar algum resultado pratico pra toda a nossa comunidade. Melhorar estruturas físicas e coloca-las nas mãos de pessoas despreparadas não resolve, até acaba por piorar a situação.

A maior prova disso é o índice de reincidência criminal do Brasil. Segundo dados do Ministério da Justiça, próximos dos 70%. Alguém em sã consciência é capaz de sustentar que, com um nível de reincidência nesse patamar, algum governo conseguirá construir presídios suficientes para resolver o grave e atual problema de superlotação carcerária dominante em nosso País?

Componentes do Poder Judiciário, Secretarias de Justiça, Departamentos Penitenciários, Equipes Técnicas dos Presídios, Diretores, Vice Diretores, Chefes de Segurança e, principalmente, Agentes Penitenciários, bem treinados e valorizados, poderiam efetivamente realizar de forma muito mais satisfatória o “abençoado” trabalho de recuperação de presos.

Trabalhando na recuperação dessas pessoas, – que devem pagar pelo mal que fizeram indubitavelmente -, tudo passaria a ser questão matemática, pois se os níveis de reincidência chegassem a patamares de 30%, em cerca de vinte anos não teríamos mais presídios superlotados no Brasil.

Mas claro, entendo que se falar em tratamento penal não é um tema que agrada o eleitorado, e se falar em vinte anos não é um prazo que agrada governantes que necessitam votos a cada quatro anos. Contudo, em sendo um tema extremamente polêmico, o Estado deveria se debruçar sobre a questão. Envolver a sociedade organizada, os órgãos especializados e os agentes estatais pertinentes para uma solução viável e possível a longo prazo. E, nesse diapasão, evidente a necessidade da participação popular em todo este trabalho.

É a nossa segurança, de nossos entes e de toda nossa comunidade que esta em jogo. Portanto queridos, vamos jogar, pois este é um problema que afeta a todos nós.

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