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Posse do Três Oitão

Luiz Carlos Leitão

Me parece muita coincidência que a posse do trigésimo oitavo presidente da história de nossa República seja o eleito Jair Messias Bolsonaro, defensor ferrenho de uma política armamentista.

Em meio a tanta polêmica sobre sua atuação frente à Presidência da Republica brasileira, o que mais me chama a atenção e assusta, é a preocupação da mídia, de políticos e da população em geral sobre a necessidade de composição com o Congresso Nacional para conseguir atingir a tão famigerada governabilidade.

É incrível como conseguimos desvirtuar em pensamentos e afirmativas, a atividade parlamentar. Me parece que quem realmente deveria precisar dos nossos amados congressistas, é a população brasileira como um todo. Se a idéia é acabar com o toma lá dá cá, não podemos aceitar discursos protecionistas, corporativistas e promíscuos como esse.

As indicações técnicas para seu primeiro escalão nos permitem uma esperança de que as coisas realmente podem mudar a partir de agora, entretanto logo virão as provações.

Será que o povo brasileiro tem mesmo a capacidade de pensar no futuro, de pensar no próximo, de ser solidário e pensar comunitariamente? A necessidade da implementação de uma agenda econômica reformista, incluindo aí, principalmente, as reformas da previdência e trabalhista, exigirão um alto custo político congressual e, neste sentido, o clamor popular vai pesar. Nosso povo vai apoiar decisões impopulares? Aceitará perdas em seus nichos? Não creio que o estilo presidencial de Bolsonaro ou legislativo de nossos congressistas esteja em cheque. O que vai ser colocado a prova é a qualidade moral de toda a nação brasileira.

O anseio comunitário de ordem e progresso deveria ser a estrela guia de nossos parlamentares, não os desejos deste ou de qualquer outro governante. Mas qual de fato, é o anseio comunitário? Qualidade de vida à todos ou privilégios aos seus?

Viramos o ano, renovamos as esperanças, refazemos nossos propósitos, reconstruímos nossos pensamentos, porém, o mais importante que é remodelar nossas atitudes não fazemos e aí voltamos aos velhos hábitos, abraçamos os velhos paradigmas e passamos a proferir os mesmos chavões que já se provaram incoerentes e de resultados ruins.

Em tempos de mensalinho, mensalão, publicano, zelotes, fratura exposta, carne fraca, furna da onça, dentre tantas outras operações desdobradas da Lava-Jato envolvendo atividade parlamentar corrupta, não podemos dar esta autonomia integral aos nossos nobres legisladores.

Vigilância e cobrança, esse deve ser o foco central de todo eleitor consciente e cidadão republicano que verdadeiramente deseja o sucesso, não deste, mas de todos os governos que, feliz ou infelizmente, direcionam uma parte importante de nossos destinos.

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