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Com canelada e tudo, um novo jeito de governar

Luiz Carlos Leitão

Depois de alguns meses de um novo governo que decidiu mudar os rumos políticos da nação, evitando articulações frente a frente com o Congresso Nacional, combatendo a corrupção e aprimorando o patriotismo, determinados grupos demonstram uma atitude interessante. Tanto tempo reclamando do estilo politico em nosso país, tanta condenação às velhas práticas de nossos governantes e agora, em várias frentes, replicam a exigência de que o Presidente da República precisa articular mais.

É certo que nosso Presidente vez ou outra dá, as já conhecidas, caneladas. É certo que correligionários em determinados momentos, se expressam inadequadamente. É notório que seus filhos tem causado desconforto ao proferirem determinadas opiniões ou apresentarem certas posturas. Contudo, vivemos um novo estágio na política nacional e creio que isso deva ser comemorado.

Primeiro porque a democracia respira a plenos pulmões e se demonstra forte e vibrante. Segundo porque este governo, de forma muito corajosa e arrojada, resolveu enfrentar um problema totalmente impopular, porém inadiável, a Reforma da Previdência. Tema polêmico e complexo, vem desgastando o governo que de forma altiva avança rumo a sua efetivação. Talvez a reforma ideal não saia em função dos lobistas de plantão. As categorias cercadas e mais abonadas com privilégios se organizam e a combatem ferozmente.

Porém, neste instante, a maioria esmagadora da população não mais nega a evidencia de que a Previdência brasileira está quebrada. Tanto se confirma esta percepção que a população, com uma representação muito significativa, foi as ruas, no dia 26 de maio recente, e concentrou suas reivindicações em demonstrações de apoio à reforma da Previdência, ao pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, e ao combate irrestrito à corrupção. A manifestação também incluía uma pressão contra parlamentares acusados de pedirem cargos e verbas em troca de apoio à agenda governista no Congresso, mais especificamente a reforma administrativa que enxugou ministérios e que passou a correr o risco de ser revertida na Câmara Federal.

O Presidente da República tem demonstrado que não vai ceder ao fisiologismo político,  mas já percebeu também que precisa negociar com esse sistema, porque este sistema  ainda não mudou. Está aí combalido, porém, com vícios enraizados que precisam ser corrigidos, por isso, claramente, o Presidente se esforça pra mostrar que está disposto à ter boas conversas, a manter uma boa discussão de ideias e a trocas singelas de gentilezas.

Todo este pacote nos mostra que estamos vivendo um momento institucionalmente complexo de turbulências e tensões, porém perfeitamente aceitáveis em uma democracia que busca amadurecimento. Alguns desafios são imprescindíveis e devemos incondicionalmente buscar respostas especificamente as questões de como elevar a ética pública e a ética privada, como elevar o nível da qualidade da educação, como melhorar os níveis de segurança pública e como reativar um crescimento que viabilize a volta do emprego formal no Brasil. Temos que ter uma visão crítica severa de nossa realidade e estes temas devem fazer parte cotidiana de nossas discussões e ações, principalmente nos meios que possuem responsabilidade direta por sua efetivação.

Nosso país respira novos ares, tem a sua frente novas possibilidades e uma grande chance de mudar o jogo e se tornar a grande nação que, em regra, todos desejamos. Mas a pergunta que não cala é: estamos preparados pra encarar este gigantesco desafio? Temos peito para ceder nas individualidades e pensar no coletivo? Os próximos dias dirão. Tenho fé e acredito. Agora é torcer e orar…

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