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A democracia é uma delícia… mas tem seus custos

Luiz Carlos Leitão

Essa foi uma das frases mais geniais que ouvi durante este processo eleitoral – apesar de ser dita por um candidato em quem não gostaria de votar.

A democracia realmente é uma delícia, pois me permite a possibilidade de falar o que penso, demonstrar o que gosto e opinar sobre aquilo que defendo. Porém, terminando a frase… tem seus custos. O maior deles é a necessidade de também saber ouvir e entender o que diferentes pensam, gostam ou apoiam. E essa é a parte difícil e que traz à luz o quanto não somos democratas.

Transpiramos democracia no momento em que falamos e expomos nossas ideias, mas ao sermos instados a ouvir o diferente, hummmm, aí o bicho pega.

A arrogância tomou conta de parte a parte, cada um querendo justificar, de forma agressiva, a péssima escolha feita por quem tem outra opção. Fica até cômico ver ofensas do tipo, só idiotas votam em fulano, tem que ser muito burro pra votar em beltrano, é muita falta de cultura achar que este sujeito tem capacidade de governar, etc, etc, etc.

Outra falta de sensatez que percebemos está nas postagens em redes sociais. O volume de fake news jogados na rede é uma coisa assustadora. Pessoas que se auto intitulam racionais, inteligentes e preocupadas com o país, lançando mentiras e fatos enganosos contra seus candidatos desafetos sem nenhum pudor. Isso, a meu ver, demonstra uma total dissonância entre o que pregam e o que possuem de postura. Deprimente e deplorável conduta de cinismo, intolerância e incapacidade de exercitar o dom democrático que desejamos possuir. A incoerência e a falta de critério nas escolhas é outra coisa que assusta enormemente.

Conversando com as pessoas tento imaginar qual seria o grande desejo oculto em seus corações. Frases montadas sempre emergem da conversa e a principal delas é: “Temos que mudar tudo isso que está por aí”.

Mas o que é tudo isso que está por aí na cabeça das pessoas?

Invariavelmente o assunto corrupção é o grande legado herdado em mais de duas décadas e o tema central do inconformismo com a política atual.

Partindo deste principio, imagino que a população deveria fazer uma margem de corte nos candidatos postos ao eleitor. Qual seria o primeiro? O candidato responde processos, como réu, por corrupção? Respondendo essa pergunta, imagino que os eleitores verdadeiramente interessados em mudar “tudo isso que está por aí”, cortariam de pronto Geraldo Alckmin e Fernando Haddad da corrida pela presidência do Brasil, mas tb cortariam nomes como Fernando Collor de Melo, Renan Calheiros, Aécio Neves, Edison Lobão, Romero Jucá, Marconi Perillo, dentre vários outros já denunciados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc.

Se você é eleitor de um candidato réu por esquemas de corrupção, você é um dos que apoiam “tudo isso que está por aí”. Deveriam parar de papo furado e assumir logo o “rouba mas faz”, o “pão e circo”, o “toma lá dá cá” e por aí a fora. Um estado de cinismo absoluto associado à forte postura de hipocrisia que infelizmente parece rodear nosso combalido Brasil.

Agora estamos a poucos dias para a eleição e programas lindos, falas geniais e personagens com solução para todos os problemas tupiniquins, administrados, treinados, dirigidos e maquiados por marqueteiros profissionais, ainda servem de argumento para alguns.

Isto acaba nos envolvendo no sentimento típico da impotência que vivemos. A desconsideração com a politica nos gera um total desencanto, as vezes um saudoso e perigoso cinismo – dane-se tudo, eu vou cuidar é da minha vida.

Mas não podemos desanimar e devemos continuar tentando, buscando por nosso candidato ideal que dê jeito no Brasil. Podemos avaliar uma dezena de candidatos, todos com seus motes e chavões como o “Chama o Meireles. Você quer, você pode… mude. Não é na bala que se resolve. O povo feliz de novo. Abre o olho. Quem gosta do Brasil vota nele.”

Eu, dentro dos meus critérios de votação, resolvendo não votar em CORRUPTO, descartando candidatos de esquerda e querendo alguém forte pra mudar os rumos que estamos vivendo hoje, acredito fortemente no “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

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